Páginas Amarelas

“Eu sou negra, a fome é amarela e dói muito”. (Carolina Maria de Jesus)

A peça “PÁGINAS AMARELAS” é um olhar sobre a vida da mulher, favelada, escritora, compositora e cantora Carolina Maria de Jesus, a partir de duas fontes inspiradoras: o livro “Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada” (1960) e o disco “Quarto de Despejo” (1961). Trata-se da primeira montagem de teatro de bonecos da Trupi di Trapu para o público adulto, em 12 anos de trajetória.

O projeto foi contemplado no Edital Sedac nº 09/2020 Produções Culturais e Artísticas da Secretaria da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal com recursos da Lei nº 14.017/2020 Aldir Blanc. 

As apresentações desta primeira temporada de lançamento serão apenas virtuais, devido ao contexto de pandemia que se agravou. As gravações foram no Espaço Cerco Cultural, em Porto Alegre, RS. A temporada virtual ficará disponível até o dia 08 de maio de 2021, com pelo menos duas apresentações diárias. 

Programação de estréia de Páginas Amarelas na internet, em 2021.

Para o elenco, que atuou junto com os bonecos, a Trupi di Trapu convidou Alexandre Malta, Anderson Gonçalves, Viviane Marmitt e Glória Andrades que fez o papel da Carolina de Jesus. A direção dessa turma ficou nas mãos de Leandro Silva. O trabalho se faz ainda mais importante neste momento, pelo tema e foco de abordagem e também pelo que representa para a cena do teatro de bonecos gaúcho, outrora mundialmente reconhecido e hoje em preocupante processo de invisibilização.

Completando a equipe de artistas e profissionais do Páginas Amarelas, temos a Sílvia Serrano na criação do cenário, adereços e identidade visual, além dos bonecos e Mari Falcão nos figurinos. Na direção musical e criando a trilha sonora para a peça, está Richard Serraria e na preparação vocal, Nilton Jr. da Silveira.

Nas funções técnicas, estão Miguel Tamarajó na iluminação, Mayura Matos, nas projeções, Brenda Fernandez na transmissão virtual e Gabriel Maciel e Victor Mayer (Red Orange) nas edições dos vídeos. As apresentações contam com recursos de acessibilidade, tendo mais uma vez a Luciméia Gall König, nas LIBRAS, a Letícia Schwartz na audiodescrição e o Rafael Braz como consultor de audiodescrição. A produção é do Anderson Gonçalves e Leandro Silva, e Tomas Edson como assistente.

Sobre Carolina

A escritora Carolina Maria de Jesus, em 1960. Fonte: Arquivo Nacional / Domínio Público

Carolina de Jesus, tema da montagem, foi uma das primeiras escritoras do Brasil e considerada das mais importantes escritoras do país. Viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos como catadora de papéis, até que em 1958 tem seu diário publicado sob o nome Quarto de Despejo, com auxílio do jornalista Audálio Dantas. O livro fez um enorme sucesso e chegou a ser traduzido para 14 línguas. Carolina de Jesus era também compositora e poetisa. Sua obra permanece objeto de diversos estudos, tanto no Brasil quanto no exterior, tratando de temas muito atuais, como a fome, a desigualdade social e o racismo. 

Carolina de Jesus morreu aos 62 anos em seu quarto, em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, no dia 13 de fevereiro de 1977. Foi vítima de uma crise de insuficiência respiratória, devido à asma, doença que carregava desde seu nascimento, e que apesar de realizar tratamento, havia se agravado. Em 2021, ela recebeu o titulo de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (URFJ).

Quarto de Despejo

Publicado em 1960, a tiragem inicial de Quarto de Despejo foi de dez mil exemplares e esgotou-se em uma semana. Desde sua publicação, a obra vendeu mais de um milhão de exemplares e foi traduzida para catorze línguas, tornando-se um dos livros brasileiros mais conhecidos no exterior. Depois da publicação, Carolina teve de lidar com a raiva e inveja de seus vizinhos, que a acusaram de ter colocado suas vidas no livro sem autorização. A autora relatou que muitos dos moradores da favela chegaram a jogar, nela e em seus três filhos, os conteúdos de seus penicos.

Carolina definiu a favela como “tétrica”, “recanto dos vencidos” e “depósito dos incultos que não sabem contar nem o dinheiro da esmola”. O professor da USP, Ricardo Alexino Ferreira, caracterizou a escrita de Carolina como “direta, nua e crua, mas, ao mesmo tempo, suave.”

Cenário atual do Teatro de Bonecos

O trabalho também traz à cena do teatro gaúcho visões mais contemporâneas do Teatro de Bonecos, desvinculado do teatro para crianças e em interação direta com os atores, como as que já vem sendo exploradas desde as décadas de 80-90 em várias partes do mundo e, no Brasil. Consideramos salutar falar de Carolina de Jesus através de uma obra teatral com bonecos, considerando que o Rio Grande do Sul se construiu como uma referência mundial desta linguagem com o icônico Festival Internacional de Canela e a atuação por duas décadas da AGTB – Associação Gaúcha de Teatro de Bonecos, hoje desarticulada, deixando um vácuo pela falta de uma maior e mais relevante presença do Teatro de Bonecos – renovado, contemporâneo e oxigenado – na cena teatral gaúcha.

Realização: Trupi di Trapu

Comunicação: Náthaly Weber

Designer: Thali Bartikoski

Facebook: Trupi Di Trapu teatro de bonecos

Instagram: @Trupi di Trapu

Youtube: encurtador.com.br/ghpyY

Financiamento: projeto realizado com recursos da Lei Aldir Blanc nº 14.017/2020, no Edital Sedac nº 09/2020 Produções Culturais e Artísticas, da Secretaria da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal.

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FICHA TÉCNICA

Elenco: Glória Andrades, Alexandre Malta, Viviane Marmitt e Anderson Gonçalves
Direção: Leandro Silva
Cenário, bonecos e identidade visual: Sílvia Serrano
Iluminação: Miguel Tamarajó (Jacka)
Direção musical e trilha sonora: Richard Serraria
Preparador vocal: Nilton Jr da Silveira
Figurino: Mari Falcão
Produção: Anderson Gonçalves e Leandro Silva
Assistente de produção: Tomas Edson
Assessoria de imprensa: Náthaly Weber
Intérprete de LIBRAS: Luciméia Gall König
Audiodescrição: Letícia Schwartz
Consultor de audiodescrição: Rafael Braz
Transmissão virtual pela internet: Brenda Fernandez
Design de cards: Thali Bartikoski
Marketing digital: Carol Cunha
Operação de projeções e áudio: Mayura Matos
Direção do documentário e câmera: Victor Mayer e Gabriel Oliveira Maciel
Produção audiovisual: Red Orange
Apoio: Espaço Cerco Cultural

FOTOS

VÍDEOS

Processo de Criação 1 – Páginas Amarelas: A Vida e a Obra de Carolina de Jesus
Lançamento do projeto Páginas Amarelas nas redes sociais. Realizada no dia 17 de fevereiro de 2021. Participações Leandro Silva, Diretor; Anderson Gonçalves, Produtor e Luciméia Gall König, na tradução em LIBRAS. Mediação: Náthaly Weber, assessora de comunicação. Realização: Trupi di Trapu Financiamento: Secretaria da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal com recursos da Lei nº 14.017/2020 Aldir Blanc, no Edital Sedac nº 09/2020 Produções Culturais e Artísticas. #sedac_rs#leialdirblanc#acessibilidade#leideemergênciacultural#novasfaçanhasnacultura#paginasamarelas#teatrodebonecos#vemvacina#producaocultural
Live com Leandro Silva, Mari Falcão, Tomas Edson e Sílvia Serrano, em 04/05, às 19:30.