O Teatro de Animação, atuando como médium e mediador da relação entre as pessoas, traz importantes contribuições para os processos da Educação (formal e informal) e da Saúde (preventiva e terapêutica).

O foco da oficina não é o Teatro de Animação em si, enquanto arte, mas a utilização deste como instrumento de comunicação, formação, terapia e educação na comunidade. Durante o desenvolvimento da oficina os participantes poderão refletir o que chamamos de CONVERGÊNCIAS do Teatro de Animação ou o seu encontro com temas sociais relevantes para o desenvolvimento da comunidade, quais sejam a Educação e a promoção da Saúde, para os quais apresenta poderoso potencial.

O Teatro de Animação na Educação demonstra ter um alto valor pedagógico ao possibilitar desenvolver aprendizagens de atitudes transformadoras, ser altamente participativo e questionador, proporcionar recreação e servir como espaço para a expressão de emoções, impulsos, fobias e conflitos, através das ações impressas espontaneamente nos bonecos e/ou objetos, ao fazê-los falar, cantar ou brigar.

Analisa-se, portanto, que o Teatro de Animação permite o melhor conhecimento do educando. A ânima dos objetos possibilita conseguir, através deles, conhecê-los na íntegra. Assim, podemos ajudá-los no processo de socialização, fazendo-os sentir-se à vontade, sem inibições, propiciando um ambiente de conforto e liberdade onde possa expressar suas ideias e opiniões sem constrangimentos. Permitindo, desta maneira, que o educador conheça a fundo a verdadeira personalidade, os reais valores e o nível de desenvolvimento psicológico do educando, ao mesmo tempo em que o estimula a sentir prazer durante a atividade.

Entre os principais objetivos do Teatro de Animação na Educação, Ladeiras (1998, p.15) enfatiza: a percepção visual, auditiva, tátil e de sequencia de fatos (espaço-temporal), a coordenação de movimentos, criatividade e imaginação, expressão gestual, oral e plástica, memória e vocabulário, e a socialização. E ainda, pondera a utilização do Teatro de Animação como atividade lúdica, entendendo que se para o educador, o Teatro de Animação é uma técnica educativa, para o educando é um jogo que a educa e molda para o convívio social.

Verifica-se que isto acontece espontaneamente quando, por exemplo, uma criança começa a falar e acabado os recursos do seu monólogo, busca a interação com outra figura com a que possa ampliar suas aventuras. Então, a criança começa experimentando o respeitar, exercendo o companheirismo, ao ter que esperar sua vez para falar e ouvir a opinião dos outros e exprimir seu desacordo com argumentos convincentes. Por outro lado, as crianças mais velhas e, mesmo os adultos, encorajam-se a expor mais livremente suas ações, pensamentos e desejos com um boneco nas mãos (NEFESH, 2009).

Interpreta-se que o Teatro de Animação na Educação pode ser visto sob dois aspectos: quando o educando o assiste (Instrumental) e quando o educando o cria (Processo). Ao assistir, as imagens prendem o educando emocionalmente podendo transformá-la internamente. Já ao manipular objetos, criar os bonecos, a cenografia, os textos e demais partes do Teatro de Animação, são envolvidos o aspecto lúdico e o criativo, através das atividades motoras, a expressão verbal e o trabalho em equipe. Já no caso em que os bonecos/ objetos são utilizados diretamente pelos educandos, tendo o educador apenas como guia, os alunos tendem a desenvolver amplamente a comunicação e manipulação dos objetos. Uma vez prontos os bonecos, o educando sente desejo de animá-lo. Motivado a movimentá-lo, aos poucos junta os sons, palavras e vozes à manipulação (LADEIRA, 1998).

De inicio, o boneco é inevitavelmente um brinquedo, cabendo ao educador-bonequeiro revestir de valores e princípios este novo personagem vivo, e como tal, gerador e responsável de ações e reações. Não convém que o boneco substitua o educador (Idem, p.14), antes que o mesmo seja presente como um participante ativo, questionador.

Já no campo da Saúde, entendemos que a difusão de informações é um critério básico para a prevenção de doenças e promoção da saúde na comunidade. O uso pedagógico do teatro de animação, especialmente com bonecos, contribui para que lideranças e profissionais de saúde possam promover momentos lúdicos de conscientização sobre saúde nas comunidades.

Tivemos a participação de profissionais de saúde em outras experiências de formação em teatro de animação (agentes comunitários de saúde, enfermeiras), que deram testemunho o quanto as ações de prevenção em saúde se tornam impactantes com o uso de teatro de bonecos, como por exemplo, falar de higiene para crianças e prevenção ao uso de drogas, DST/AIDS para jovens nas escolas, prevenção ao câncer de mama e do câncer do colo do útero, etc. Através da difusão de informações, pela capacidade lúdica de prender a atenção das pessoas, o teatro de bonecos, em seu uso pedagógico, contribui para melhoria da saúde e da qualidade de vida das pessoas na comunidade.

Há também a contribuição do teatro de bonecos para o desenvolvimento humano e social, especialmente das crianças. Testemunho de educadores de que o teatro de bonecos contribuiu para que crianças fechadas, tímidas ou traumatizadas pudessem se expressar e se comunicar. O fator psicológico envolvido é que a criança pode “transferir” para o boneco a responsabilidade por tudo que ela deseja expressar e que por motivos vários não consegue. O teatro de bonecos ajuda a comunicação fluir, com a superação do medo, da culpa, etc e estes processos podem ser ricamente aproveitados por professores e psicólogos no tratamento das crianças e adolescentes. É o fundamento do “Teatro de Bonecos  e Objetos Terapêutico” – objeto de pesquisas e experimentações durante a Oficina.

Conteúdo Programático

•       Fundamentos do Teatro de Animação:

– O que é Teatro de Animação

– Bonecos, Máscaras e Objetos

– Tipos no Teatro de Animação

– Característica do Teatro de Animação

– Estrutura Dramatúrgica no Teatro de Animação: O Títere, o Ator e a Plateia.

– O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste e Seus Representantes: Mamulengo, Babau, João Redondo e Cassimiro Coco

– Prática: Confecção de um Boneco

•       O Teatro de Bonecos e a Educação

– O Teatro de Bonecos na Sala de Aula: Contribuições.

– Teatro de Bonecos Instrumental e Teatro de Bonecos Processo.

– A transversalidade das disciplinas escolares no uso do teatro de bonecos em sala de aula

– Prática: Preparar uma aula, utilizando-se do Teatro de Boneco Instrumento.

•       O Teatro de Bonecos e Objetos na Promoção da Saúde – Prevenção e Terapia

– O Conceito Ampliado de Saúde

– A Saúde Preventiva, Pública e Comunitária

– Bonecos, Objetos e Terapia

– Prática: Preparar uma palestra, utilizando-se da linguagem do Teatro de Bonecos.

•       Seminário Final de ENCERRAMENTO (Práticas e diálogos intersetoriais em Arte, Educação e Saúde).

Oficina voltada especialmente para professores, educadores populares, profissionais de saúde, artistas, lideranças comunitárias e interessados no uso de metodologias e recursos lúdicos em processos de formação.

Serviço

Mediante contrato de prestação de serviços

Investimento

Solicitar orçamento (valor de honorários, materiais e demais despesas)

Sobre o ministrante

Leandro Silva é ator, artista bonequeiro (filiado à Associação Brasileira de Teatro de ABTB – Centro UNIMA Brasil – União Internacional de Marionetistas – UNIMA) e diretor teatral (DRT 12.402). Mestre em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGAC UFRGS). Graduando em História da Arte no Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IA UFRGS). Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Fez aperfeiçoamento profissional na Escuela de Verano 2013 da Unima Espanha, realizado no Tolosa Puppets Internacional Center – TOPIC (Tolosa, Espanha) como Bolsista da Comissão para América Latina da UNIMA. Fez Capacitação em Elaboração, Gestão de Projetos e Empreendimentos Criativos (Ministério da Cultura – FGV – SENAC). Atuou e dirigiu vários espetáculos teatrais, realizados de forma independente ou com o Grupo Fuzuê Teatro de Animação (Porto Alegre – RS). Diretor artístico do Grupo Fuzuê Teatro de Animação e do Coletivo Kayodê de Arte Negra/ Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo (Porto Alegre, RS). Entre seus trabalhos de atuação e/ou direção, destacam-se: “Fuzuê no Sertão Encantado” (2013-2015), “Devaneios” (2015-2016), “As Malditas” (2016), “Bandele” (2018), “Wonderland Ave. – Experiência de Criação Cênica em Confinamento” (2020), trabalho integrante do projeto TRANSIT realizado pelo Goethe Institut Porto Alegre e SESC RS, “Páginas Amarelas – A Vida e a Obra de Carolina de Jesus” (2021) e “Na Trilha das Andarilhas” (2021). Criador, encenador e diretor do projeto “Grimm Para os Pequenos” (desde 2015). Artista Colaborador do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo e membro da Associação Espiritualidade em Saúde, onde coordena o Departamento de Arteterapia.

Mais Informações

E-mail: leandrosilva.bonecos@gmail.com

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